Pedra Dourada

29 de agosto de 2010

Uma longa viagem partindo de são paulo até tombos. Uma parada na beira da estrada para almoçar em fogão de lenha a típica cozinha mineira. Tenho que dizer isto aqui. Cada estado tem sua peculiaridade gastronômica, seus pratos típicos, mas Minas Gerais transforma qualquer birosca num ótimo restaurante. Comida com gosto de casa. Pra quem viaja tanto como nós, isto faz a maior diferença. Às vezes tem estados que são famosos por suas iguarias mas você só as come bem em restaurantes caros. No caso de Minas, é o que lhes digo: deliciosas surpresas lhe aguardam em lugares inimagináveis.
Ao chegarmos em Tombos, a 53 km de Pedra Dourada, ficamos por lá, num hotel de beira de estrada mas bastante confortável. A cidade, pelo que nos disseram, não tinha infra-estrutura hoteleira para nos receber. Ao finalmente chegar em Pedra Dourada na hora do show, concluímos que isto é questão de tempo.
É raro encontrarmos lugares extremamente bem cuidados. Seja por descaso ou falta de verba da prefeitura, é normal que cidades pequenas também sejam humildes. O parque criado para a festa de Pedra Dourada, pelo contrário, é lindo. Ruas bem cuidadas, uma piscina pública e a promessa de um hotel para breve elevam o moral de uma cidade que está se expandindo
E lá fomos nós tocar. Uma multidão nos aguardava e valeu a pena cada minuto, cada emoção. Embora fosse nosso primeiro show na cidade, muita gente das cidades circunvizinhas estavam ali cantando e marcando presença. Pra nossa alegria, o fotógrafo Cacau Castro também tirou ótimas fotos. Ele já registrou muitos momentos nossos ao longo da carreira. Seguem algumas abaixo para vocês curtirem. Saímos ainda na madrugada com destino a São Lourenço. Mas isto eu conto depois ;-)

Dois dias com a Transamérica

21 de agosto de 2010

Já contamos aqui algumas vezes a importância das rádios na década de 80 para o rock nacional. Temos uma gratidão com muitas, muitas delas. E um carinho super especial com a Transamérica. No início de Agosto, fizemos belíssima dobradinha. Começou na quarta feira com um especial no tradicional Estúdio Transamérica Ao Vivo. No Rio, o programa era chamado de Chá das 5, em alusão ao horário da apresentação. Com o passar dos anos, os horários mudaram e ficou mais simples chamar de Estúdio Transamérica mesmo. Perdemos a conta de quantos programas assim fizemos. Em comum, sempre o prazer de tocar naquele subsolo (quem foi lá sabe do que estou falando). Com cobertura da showlivre, o show foi uma super festa no meio da tarde. De um lado, alguns felizardos que compareceram ao show in loco. De outro, incontáveis milhões de ouvintes, via rádio e internet.
O repertório foi curto mas o show foi ótimo, sem maquiagens, efeitos de luz, telões, nada disso. Apenas, nós ali tocando com o velho prazer que nos assalta a cada apresentação. Aproveitando que estávamos sendo filmados, piramos nas performances, a mais louca ficou por conta de Tédio.

Ao final do pocket show, eu e Miguel batemos um ótimo papo com Clemente (Inocentes, Plebe Rude) e rimos muito.

Mas o melhor estava por vir no dia seguinte. De volta ao Palace (atualmente é o Citibank Hall, mas para nós sempre será Palace). Participamos com Pitty, Detonautas e xxx de uma super festa celebrando o rock nacional. Fomos um dos primeiros e contamos com três convidados muito especiais. O primeiro foi Lucas Silveira. Pela primeira vez cantamos no palco Acordar pra Sempre Com Você. Foi um momento muito especial unindo duas gerações do rock brasileiro.

Este encontro aconteceu novamente em Envelheço na Cidade, onde Egypcio contou com o reforço de André Jung do IRA!. Foi por acaso que encontrei o André. Ele havia produzido a banda de abertura e fez presença no palco enquanto cantávamos um dos clássicos de sua banda!

O show ainda teve invasões de palco, por parte dos fãs, invasão de platéia, de minha parte e aquela energia que caracteriza cada show do Biquini. Nos camarins após o show, o papo rolou descontraído com Iris Stefanelli (a Siri, do BBB, agora apresentadora do TV Fama), e tive tempo de bater um ótimo papo com Pitty. Falamos de Me Adora, Erasmo Carlos, Chacrinha, novos grupos e principalmente do que é ser e fazer rock hoje em dia. Muito legal e inspirador!

A todos da Transamérica, obrigado pelo carinho de sempre. Foram dois dias maravilhosos. A todos que foram ao show, que barato ver vocês! São Paulo é muito grande, maior que muitas cidades juntas. Tocar uma só vez por aqui nunca é o bastante. Foi bom voltar em tão pouco tempo e esperamos repetir a dose pelo menos mais uma vez até o fim do ano.

Guarani, Araraquara e Dooley!!!

21 de agosto de 2010

Guarani e Araraquara. Nossa próxima parada. Muitas aventuras nos esperavam. Andamos passando por várias mudanças na equipe. Uma delas foi na área de Merchandising, quem é responsável pelas vendas de produtos do Biquini após o show. Pois bem, chamamos um amigo para cuidar das vendas. O que nós, e acho até que nem ele sabia, é que ele era sonâmbulo. Fomos acordados na madrugada com ele espancando o banco, rindo aos berros e mexendo braços e pernas pra cima freneticamente como se fosse uma barata prestes a morrer. Aterrorizados, nós ficamos olhando aquilo tudo sem saber o que fazer, mas ele logo voltou a dormir. Foram mais alguns sustos assim ao longo da viagem.
Um roadie nosso se lembrou de um episódio do Pica Paul em que um ricaço tremelicava todo ao menor barulho que fosse feito, para desespero de seu mordomo Dooley que, a cada som que o pica pau fazia, ouvia seu mestre gritando em tremeliques: Dooooley!!!! Assim, nosso amigo ganhou este apelido de Dooley sem saber, coitado, do que se tratava (na verdade, o mordomo se chamava James, foi confusão nossa, mas o apelido vingou). Foram duas noites viajando ao som de risadas macabras, tapas na janela, no assento do banco e conversas dele com ele mesmo que acabaram se incorporando ao nosso sono. Viajamos com ele na semana seguinte também, mas a verdade é que, independente deste fato, nosso amigo deixou de ir conosco. Imagine se isto ocorresse num vôo, qual não seria o terror dos passageiros? hahahah

Quanto aos shows, Guarani me traz recordações muito curiosas. Nosso último show foi em 2005, véspera de nos apresentarmos no Domingão do Faustão. Eu tinha estado com uma super faringite, precisava me recuperar logo para cantar bem no programa e justamente tinham marcado quatro shows em locais muito frios, mas que ao final deram certo e culminaram com uma ótima apresentação no programa da Globo. Verdade que foram shows “pisando em ovos” naquela época, bem diferente do que fizemos agora, embora ambos tenham sido ótimos. O que achamos interessante é que mesmo com todo sucesso dos sertanejos, a afluência aos shows do Biquini em feiras agropecuárias é muito grande. Gente que sente falta de ouvir o bom e eterno rock nacional. Desde saudosistas aos que, independente dos modismos, nos acompanha, todos marcam presença forte! Muito legal mesmo! Assim foi em Guarani-MG. Ouvir os gritos de Biquini, Biquini antes de cada show é como um recado de “pode entrar que a casa é sua”. Um belo show!
Seguindo para Araruama, pegamos um espaço complicado de acústica. O som pareceia um redemoinho e o técnico de som teve muito trabalho. Agora, redemoinho mesmo foi o público comigo. Ao me jogar na platéia, fui carregado por todos os lados. Sem ter a menor idéia de como estavam me segurando, se me segurariam por mais tempo, literalmente rodopiei pelo salão até voltar ao palco. Alguém filmou isto ? Este ano estamos pagando uma dívida grande com o estado de São Paulo, que há muito nos cobrava uma presença maior. O país é grande e nem sempre conseguimos ir a todos os lugares. Vez por outra encaramos uma maratona por um estado. Ano passado fizemos muitos shows em Goiás, por exemplo. Este ano, São Paulo e Paraná. É assim mesmo. A gente só tem a agradecer a paciência de todos e a presença maciça quando finalmente chegamos à cidade. Um belo show! Entramos em seguida no ônibus em direção ao Rio, de volta pra casa, não sem antes ouvir alguém gritando na madrugada “Duuuuuulei”!

A volta

16 de agosto de 2010

A última vez que escrevi foi em 2003. Nem me lembrava. Tenho muita preguiça de escrever. Prefiro falar.

Hoje é segunda feira, quase 11 da manhã. Nada de mais aconteceu até agora. Ontem saí pra jantar e exagerei no vinho. Estou meio “mareado”… Vou dar uma corrida na esteira pra tentar emagrecer. Depois vou almoçar para recuperar o tempo perdido na esteira.

bjs

A tournée de Roderic

2 de agosto de 2010

Em meio a um dia lindo, viajamos com destino a Leopoldina, nossa base para o show de Recreio. Como convidados, Roderic e sua namorada. Pra quem não sabe, Roderic é o fã do Biquíni que cantou comigo em No Mundo da Lua, no DVD. Um fã boa praça, culto e amante dos anos 80. Mais que um fã, ele “é de casa”. De passagem pelo Rio, pegou carona conosco e ainda por cima ficou vendendo os CDs e DVDs na tenda da banda. Muitos fãs o reconheceram, para sua surpresa, mas não a nossa. Ele sintetiza naqueles poucos minutos sobre o palco, a alegria de fazer parte de um show do Biquíni. Desta vez, ele não cantou conosco. Deixei o privilégio para outros fãs das cidades em que tocamos. Em Recreio, ele atendeu pelo nome de Pedro, 3 anos. Uma graça de garoto. Tímido, mal cria no que seus olhos viam. Outro cara subiu para cantar No Mundo da Lua. Gerson tinha boa experiência de palco e arrebentou. Já a Mônica, no show seguinte em Andrelândiia, se emocionou ao cantar conosco. Cada um, ao seu modo, vive o prazer que nós sempre temos durante aquela hora e meia de show. Prazer este que só aumenta a cada ano – e já são vinte e cinco!
Nós também nos emocionamos ao dedicar o show de Andrelândia ao Joãozinho, que vendia bombons na cidade e que faleceu recentemente. Um brasileiro de se orgulhar. Nestes dois shows, Roderic viu de perto nossa vida itinerante. Teve sorte de pegar shows com viagens curtas e cronograma tranqüilo. Mas o que mais lhe interessou foram os shows. Aproveitando o aniversário de sua namorada, nós tocamos, por motivos óbvios, Camila Camila em Recreio. Em Andrelândia, o público era mais sertanejo, desconfiado, mas acabaram também se rendendo ao bom e velho rock. Ah, e eu falei do coco? Eis que um cara me joga no palco um côco com uma torneirinha. Era pinga: da boa. Nos fartamos ao final do show.

Poço de Histórias

2 de agosto de 2010

Fica até difícil começar este post tamanha a quantidade de histórias que aconteceram em tão pouco tempo em Poços de Caldas. Vamos começar com esta: Meio do show, estou no palco falando sobre os 25 anos da banda e abro meus braços sem perceber que uma fã havia subido ao palco para me abraçar. PAF! Ela é nocauteada com meu antebraço e sai tonta. O ginásio grita junto “ouch!” Que porrada! Alguém filmou isto? Imagine a situação. Eu lá, sem graça tentando saber se ela estava bem, enquanto ela saía do palco. Graças a deus foi só susto, mas deve ter doído bem. Meu braço até hoje dói! Tadinha. Por isso mesmo, não hesitei em me redimir e chama-la para cantar No Mundo da Lua comigo. E no meio da música, encenei um “troco” dela, me acertando também. O show ainda teve uma canja impagável do Moe, um cara que se parece muito com alguém mas que é melhor vc ver o vídeo para sacar, né?

Isto não foi tudo pois a van quase atropelou dois ciclistas quando saíamos para almoçar, um fã entrou no camarim para beijar meus pés, no estilo indiano mais auspicioso possível! Em 2006, cantei no palco com uma menininha chamada Claudia.

A menina Claudia em sua primeira participação em 2006


Ela estava lá, quatro anos depois! Eu não resisti e a chamei para cantar comigo novamente. E por acaso eu já contei que o show foi sensacional? Agradeço mais uma vez ao projeto Eu Faço Cultura da Caixa. Voltamos de Poços de Caldas com um poço de histórias e ótimas lembranças.

Ibitinga e o Atari Pirata

2 de agosto de 2010

Ibitinga tem se tornado uma das cidades do interior de SP que mais nos viram nos últimos anos. Com isso, temos colecionado ótimas lembranças. A mais recente delas na Feira do Bordado. Desta vez, chegamos um dia antes do show após gravarmos programas de TV e Rádio na capital.
Dois anos atrás, uma banda local se apresentou tocando muitos clássicos dos anos 80. Mandaram tão bem no palco que chamei seu vocalista para cantar comigo no bis. Foi um prazer conhecer a turma toda do Atari Pirata. Eles lançaram um single legal, “Versão”, com boa letra e com toques retrôs.
Num mundo de modismos, onde o vigente é o sertanejo mas já foram outros, levantar uma bandeira e tocar o que quer e o que gosta de tocar é digno de aplauso. É isto que esta turma tem feito. Como diz a letra do Gessinger: somos um exercito de um homem só. Escrevo tudo isso não por ser amigo deles. Embora simpáticos, mal os conheço de fato. Falo deles como também me refiro a cada banda que luta para manter o rock brasileiro vivo, seja ele o atual ou aquele que provoca saudades nas pessoas. Trabalhar naquilo que gosta e que faria de graça pro resto da vida – e tentar ganhar o suficiente para para viver – é o que todo mundo anseia, não? Diante disso, escrevo estas linhas hoje para valorizar a produção local, as bandas que passam o ano todo mostrando seu trabalho na cidade, muitas vezes divulgando artistas que futuramente passam pela cidade e sequer dizem “obrigado”, sequer recebem estes que tanto lutam para preservar sua música na região. E peço humildemente desculpas se já fomos este tipo de artista, certamente mais por falta de conhecimento do que por soberba.
O show na cidade foi espetacular. Tivemos como levar nosso telão e criar ótimos momentos. Ficamos extasiados após o show com o carinho de todos. E embora a cidade seja famosa pelos bordados, esperamos “tricotar” mais com todos nos próximos anos ;-)

A Cadeira de Rodas navegante e a festa Em Capela Nova

2 de agosto de 2010

Sempre que escrevo sobre São Luis me vem à cabeça as lembranças de nossos primeiros shows, tão cheios de problemas naquele começo de carreira que cheguei a achar que jamais voltaríamos à cidade. E tudo isso se mistura com nosso terceiro show na Batuque, casa cheia, lembranças excelentes das outras apresentações, participação de Gabriel, O Pensador dando canja no nosso show numa das vezes em que tocamos, uma coleção de momentos pra se guardar pra eternidade. E desta vez não foi diferente. A prévia havia acontecido antes em Riachão. E os maranhenses sabem fazer festa muito bem!
Batuque lotado, animação total, São Luis misturou sua cozinha única com o reggae intenso, o guaraná Jesus e nossa emoção sobre o palco. Quando achava que o show não podia ficar melhor, eis que algo singular acontece. Sob as mãos do público, um cadeirante singrava o mar de braços como numa caravela. De mão em mão ele foi se aproximando do palco e conseguimos juntos subi-lo! Conosco, ganhou um lugar privilegiado para assistir ao show e ficamos emocionados com aquele gesto do público. Uma cena inesquecível, São Luis, i-nes-que-cí-vel!
Nosso único problema foi o relógio. Em virtude dos horários dos vôos, tudo fica complicado e não podemos ter atrasos. As partidas para o sul do país são na madrugada e, desta vez, não foi diferente. No dia seguinte tínhamos um show em Capela Nova, Minas Gerais. Por sorte, o show não se comprometeu e correu tudo certo. Direto pro aeroporto, atravessamos semi-vivos pela madrugada até Belo Horizonte. Descansamos um pouco e já seguimos para o show em plena praça pública, tomada por fãs de diversas cidades. Gente que veio de BH, Barbacena, Mariana, todos ali nos encontrando, pulando e cantando. Era difícil ver onde a multidão acabava naquela rua enorme. O show transcorreu tranqüilamente e a visitarão aos camarins foi intensa. Hora de voltar pra casa. Frio de Minas é de gelar a espinha, mas nossos corações já estavam devidamente aquecidos depois de tanto carinho.

Uberlândia, acima de tudo

2 de agosto de 2010

O projeto Eu Faço Cultura aportou em Uberlândia. E novamente nós estávamos lá. Em 2002, tocamos no mesmo local: a Acrópole. Uma casa de shows bem grande. Só que em 2002, por problemas de produção, não nos pagaram, e poucas pessoas foram ao local. Foi nos oferecido irmos embora e os ingressos serem devolvidos. Decidimos tocar para aqueles poucos que estavam ali. Eles “lotaram” o local. Eu uso muito esta expressão porque muitas vezes a animação de poucos se multiplica pelo ar. Sempre busco num show esta emoção, mais do que a lotação. Claro que se tiver os dois é perfeito. Mas não foi o caso naquele ano. E ainda assim, saímos do palco felizes de termos feito um super show. Quem viu, sabe do que estou falando.
Agora, em 2010, voltar lá e ver a casa lotada, animada, como diz o comercial de cartão de crédito: não tem preço! Foi de um sabor especial para todos nós. Agradecemos à Caixa pela oportunidade de voltarmos à Acrópole, que diga-se de passagem, em ambos os shows nos tratou super bem e nada teve a ver com os problemas de produção passados. O triângulo mineiro nos conquistou com um carisma sem igual.

Kazebre: in vino veritas

2 de agosto de 2010

O Kazebre passou a fazer parte de nossas idas à São Paulo. Nossa principal parada nos últimos anos. Um porto seguro para todos da Zona Leste que adoram rock. Confesso que as cobranças dos paulistas são muito grandes Não é por menos: a maior cidade do pais deveria ter mais opções de nos ver ao longo do ano. Estamos tentando reverter isso. Nosso último show no Kazebre foi num fim de semana complicado debaixo de muita chuva. Quem nos viu, voltou encharcado, ou de suor ou de chuva mesmo. Desta vez, o clima estava ótimo. Cheguei tarde, pois passei o dia com o meu filho e só então fui pra São Paulo. Peguei um taxi com um motorista que era sommelier de uma loja de vinhos e conversamos sobre uvas a viagem toda, coisa que só acontece aqui nesta cidade! Um barato! À noite, encontrei um amigo que há muito não via. Egípcio, do Tihuana, que tem também tocado com uma banda chamada Mary Help (ou Maria do Socorro) nas horas vagas, continua sempre uma simpatia. Juntos, atacamos de Carta Aos Missionários e Envelheço Na Cidade, no ponto alto do show. Conversamos sobre o mercado fotográfico e sobre o novo filme Tropa de Elite 2 (aguardem!). Também falamos sobre os discos que estamos gravando, ou seja, colocamos o papo em dia. Músicas na ponta da língua. É assim que a paulicéia demonstra o carinho pela banda. Da mais famosa à mais recente composição, o que vimos foi uma celebração ao rock do Biquíni e ao rock nacional. Isto acabou gerando até alguns excessos. Estava cantando Chove Chuva quando alguém me jogou água. Ora, eu faço isto tantas vezes, encarei numa boa. O problema foi que logo o meu olho começou a arder. Não era água. Era vinho. Chileno. Vale do Maipo, Safra de 2007, Cabernet sauvignon… CLARO QUE NÃO. Do contrário teria até agradecido! Era um suco de uva avinagrado, talvez daí a ardência no olho. Das duas uma, ou tínhamos alguém bêbado na platéia, ou um milagreiro que transformou água em vinho ao jogar em mim. Considerei a primeira opção como mais plausível. In vino veritas (a verdade está no vinho) E lá estava ela, inocente e manguaça sobre os ombros de seu companheiro, menos bebum pois ainda conseguia ter equilíbrio com ela em cima. Os fãs ficaram revoltados, mas busquei levar na esportiva. Era o final do show e não valeria a pena terminarmos com uma bronca. Devolvi a gentileza do vinho jogando água para eles. Espero que tenham aproveitado, pois a dor de cabeça no dia seguinte não deve ter sio das melhores ;-)

Mirandópolis e Riachão, aventuras e descobertas

28 de julho de 2010

Viagens longas muitas vezes nos geram surpresas inimagináveis. Tudo começou com o show em Mirandópolis, interior de São Paulo. Pegamos um vôo para São José do Rio Preto e seguimos de van para a cidade. Era para ser uma viagem curta mas quebramos no meio do caminho e só chegamos à noite! Exaustos! No entanto, a festa dos motociclistas estava estourando na cidade e fomos muito bem recebidos. O show transcorreu normalmente mas em Chove Chuva, mais precisamente no momento em que faço o que já foi batizado de “dança das lanternas”, tivemos uma companhia extra: o ronco das motos.
Imagine, além do público nos acompanhando, as motos passaram a roncar seus motores acompanhando os movimentos da lanterna. Uma cena que deveria ter sido filmada! Seguimos quase que de imediato para Araçatuba, onde pegamos um vôo para São Paulo, Brasília, Imperatriz e mais cinco horas de carro até Riachão. No entanto, embora sem dormir, esta foi a parte mais bonita da viagem. Ao som de Roberto Carlos, o prefeito nos levou mostrando detalhes da paisagem, vegetação e belezas das chapadas. O primeiro show de rock na cidade teve estrutura, muita gente da região e agitação a mil. Até o prefeito estava à caráter, com roupas de tachas e colete preto. Seu filho, de quatro anos, assistia a tudo do lado do palco. Foi então que me lembrei que em sua casa tinha uma pequena bateria. Pedi que passassem por lá e a trouxessem. Foi a cena! O garoto tocou conosco no palco até o fim! Arrebentou!!!Impagável!

o menino e sua bateria assistindo ao show

No dia seguinte, teríamos de ficar até de noite e voltar para Imperatriz num vôo da madrugada que só chegaria em casa a poucos minutos do jogo Brasil e Chile. Miguel, Coelho, Birita e eu decidimos não arriscar e conseguimos um carro para nos levar e pegar um outro voo que pousaria no Rio de manhã cedo. Uma decisão que me fez arrepender e muito. Primeiro porque aproveitamos a manhã para conhecer as cachoeiras da região. Não tenho como descrevê-las. Imagine que de suas rochas brotam água quente que se mistura com a do rio. Resultado, uma água deliciosa, daquelas que, uma vez dentro, não se quer mais sair. Já ali bateu um arrependimento. O que era para ser um programa para o dia todo, foi resumido a poucos minutos. A volta foi longa e cansativa até o aeroporto. Escala em São Luis no meio da madrugada. Pelo menos o vôo era direto. Era. O Rio amanheceu com um forte nevoeiro e fomos obrigados a pousar em Belo Horizonte onde permanecemos em solo por quase três horas. Cansaço a toda prova! Chegamos um pouco antes apenas. Se arrependimento matasse… Agora, fico eu olhando as fotos de Riachão e me perguntando quando voltaremos à cidade. O Brasil esconde paraísos como este. Como é bom ter a chance de conhece-los!

Vitória com Sabor de vitória

19 de junho de 2010

Foram muitas as provações que tivemos que passar para sair sorrindo do palco neste show em Vitória: físicas, gustativas e psicológicas. As físicas foram matadoras: acordamos às 4 para pegar o primeiro voo para Vitória e a agenda de radio, TV e imprensa foi intercalada por momentos curtos que não me permitiram descansar até as 8 da noite. Era fazer uma rádio, voltar pro hotel, quarenta e cinco minutos depois, sair para outra rádio, voltar novamente pro hotel…uma loucura! Mal deitava a cabeça no travesseiro, já tinha que pensar em dormir o máximo que pudesse pois o despertador tocaria em 35 minutos! Ainda assim, passamos por uma ótima provação, ao almoçar no tradicional restaurante de moquecas do Pirão, uma instituição no país! O prato estava digno de se comer sob a mesa, como diria Ana Maria Braga. Pausa para fotos com o dono do restaurante, o simpaticíssimo Pirão. Volta pro hotel enquanto descobríamos que nossos dois técnicos de som estavam passando por apuros no hospital. Um tinha fissurado o pé e estava impossibilitado de andar. O outro estava com trinta e nove de febre e princípio de pneumonia! Uma loucura. Ambos, entretanto, se esforçaram ao máximo para deixar tudo preparado para o importante show desta noite. E tome van pra fazer mais rádio! Em meio a engarrafamentos e muito cansaço, ainda passamos no local do show para plantarmos uma muda de pau brasil. Participaram Miguel e eu. O local do plantio foi na própria casa de shows, Ilha Acústico, que aliás, é de uma beleza sem par. Lugar perfeito para cumprirmos mais uma etapa do projeto Eu Faço Cultura, da CAIXA. Entramos no palco e fomos avisando. Quando acabar o show, queremos que vocês saiam daqui como se tivessem ganhado a Copa do Mundo. E o show foi endiabrado! Animação do começo ao fim. Vitória é uma cidade enigma: tão perto do Rio, tão raro de tocarmos. Fazer um show como o desta noite teve um gosto de vitória, de superação, de moqueca e de quero mais!

Frio abaixo em Rio Acima

19 de junho de 2010

Saímos com uma certa folga do Lual do Jammil. Um vento gélido parecia furar nossas roupas. O cansaço era enorme e torcíamos para que Rio Acima fosse um pouco mais quente. Ledo engano. Não havia vento, mas a temperatura era mais baixa ainda. Eu tinha que manter a voz aquecida, e fazia exercícios fonoterápicos para encarar quase duas horas a mais. A rua principal estava tomada. Tivemos tempo suficiente para montar o equipamento, aguardar a queima de fogos e contagem regressiva para enfim partirmos para nossa segunda etapa no sábado. Fomos recebidos calorosamente por muitos fãs do rock brasileiro. O show correu tão bem que mal dava pra acreditar que havíamos tocado algumas horas antes. Fechamos a noite atendendo uma enorme fila de fãs. Segui para o ônibus e encaramos uma viagem pra lá de friorenta. Minas sabe ser gelada quando quer. Graças a Deus, também sabe ser muito calorosa.

O Lual a dez graus

19 de junho de 2010

Acordo no hotel. Que hotel? Demoro para ligar meus cabos de manhã. Ah, é o de Belo Horizonte, beleza. Com calma, me preparo para o dia. Dois shows seguidos. Um aqui, na capital mineira. Outro, a uma hora de viagem em Rio Acima-MG. Tarde tranquila, almoçando com o empresário, tomando decisões, discutindo planos futuros. Saímos direto pro local do show.
Tocar com o Jammil é sempre um prazer. Temos uma amizade especial com todos. O Lual do Jammil é um sucesso e eles são queridíssimos em Belo Horizonte. Fazer a abertura foi um convite que aceitamos honrosamente. No entanto, não estávamos preparados pro frio que faria no local. No alto de um morro, ventando horrores e temperaturas beirando os dez graus, eu não acreditei quando cheguei no palco, que nos brindava com aquele minuano polar sem dó nem piedade. Era tão louco que, pela primeira vez na vida, eu vi gente usando abada com suéter!
Dia dos namorados. Ao menos eles estavam bem abraçadinhos! Quanto à nós, o jeito era pular sem parar. Talvez por isso mesmo, o show foi esquentando com o passar do tempo. Quando terminamos, a festa era completa e o show do Biquíni serviu literalmente de “aquecimento” pro show do Jammil. Embora já tivéssemos tocado juntos, o encontro não rolou no palco porque tínhamos de correr pro show seguinte, em Rio Acima. Não sem antes aconselhar a Tuca, Manno e Beto de, no próximo ano, fabricarem abadas de lã ;-)

Churrasco noturno com os amigos

19 de junho de 2010

O churrascão do XV Veranistas é famoso em Belo Horizonte. Churrasco à noite? Pois é. Embora não esteja errado, confesso que sempre associo um desfile de carnes combinando com um dia ensolarado. O dia foi puxado, visitando sites, rádios, TVs, jogando conversa fora e se preparando para a noite. Como convidado especial, chamei Ricardo Koctus, amigo do Pato Fu e que recentemente lançou um disco solo muito legal. Ele contou grandes novidades do Pato, mas prefiro que vocês mesmos confiram no site deles. Sou suspeito para falar. No show, ele entrou para cantar Tédio e arrasou! Melhor ainda quando voltamos pro bis. Primeiro, cantamos atendendo a pedidos insistentes de de grande parte do público a música Domingo, do nosso primeiro disco Cidades em Torrente. Há mais de dez anos que não a tocávamos. Depois, Coelho chamou Ricardo Koctus para tocar baixo em Chove Chuva. E que groove!! Pra misturada ficar perfeita, Magal foi pra guitarra e Coelho detonou nos tambores. Resumo do churrasco: show ao ponto, macio e que só acabou quando todo mundo ficou satisfeito ;)

Novas cidades a descobrir

19 de junho de 2010

O Brasil tem mais de 5 mil municípios. Na última vez que olhei a agenda do site, o banco de dados apontava um total de 574 cidades visitadas pela banda. Ou seja: CARAMBA! De cada dez cidades brasileiras, uma eu conheço! Que incrível! Das 1001 coisas que deveria conhecer no Brasil antes de morrer, segundo o Guia Quatro Rodas, já bati cartão em 150! É muito bom conhecer o país assim, mesmo sabendo que nem sempre temos tempo para desfrutar como turistas.
Bom dia Goiatuba, bom dia Marilena e Chuí. Assim começa a canção Goiatuba, do disco biquini.com.br. Faz parte de nossa vida conhecer novas cidades, novas pessoas, descobrir recantos como Santana do Deserto, onde um hotel charmoso e aconchegante nos aguardava após uma viagem rápida saindo do Rio de Janeiro. A pacata cidade teve que aguardar um pouco pelo show em função de problemas de energia elétrica, claro, pois a energia dos fãs era capaz de substituir muitos geradores. Próxima parada, Balneário Barra do Sul, em Santa Catarina. Nada é muito lógico na logística de um show. A menor distância entre duas apresentações nunca é uma linha reta, parecendo mais uma grande teia de aranha cuidadosamente construída ligando os pontos das cidades por onde passamos. Experimente fazer isto com o mapa da agenda! Passamos a tarde toda em Joinville, dormindo e se recuperando de uma viagem cansativa. A noite, seguimos pro Balneário e o público da arena montada na festa da Tainha nos recebeu com muito carinho. Carinho este que vira quase uma atração turística. Muitas vezes não temos tempo de conhecer as belezas naturais de uma cidade, mas nos encantamos com o sorriso das pessoas e aquilo que elas tem de melhor para dar a um grupo de malucos itinerantes como o Biquíni Cavadão: hospitalidade, carinho, aconchego e nossas músicas cantadas na ponta da língua. É…o Brasil é realmente um país lindo de morrer!

O show que faltava em Curitiba

19 de junho de 2010

Foram 22 show em Curitiba na década de 90. Apenas três nos últimos dez anos. O curioso é que fizemos muitos shows no interior do Paraná, nesta década. Queríamos reverter este quadro e a oportunidade apareceu numa quarta feira, véspera de feriado, numa casa badalada, a Momentai. Para isso, fizemos uma divulgação matadora pela cidade. Matadora mesmo! Da hora em que acordamos para viajar até o fim do show, praticamente não tivemos um minuto de descanso. Muitas rádios, TVs, entrevistas, além de uma passagem de som rigorosa. Para tanto esforço, a recompensa veio na platéia. Fãs de todas as idades e de todas as épocas se apinharam em frente ao palco. Lado a lado, reconhecíamos os fãs da década de 90, aqueles que pela primeira vez nos viam ao vivo e os amigos de longa data que vieram nos prestigiar. Estávamos em dívida com Curitiba, com certeza, e resolvemos pagar com juros! A casa estava cheia e foi aquele show de lavar a alma. O show que faltava a gente fazer, depois de tantos anos. Só resta agora torcer para que nossa volta seja breve.

Brasília com Justiça

19 de junho de 2010

O show que fizemos e Brasília começou com uma viagem na madrugada, vindo de Belém. Quando chegamos no hotel, tomei café e desmaiei na cama por longas horas. Quase nada fiz durante o dia. Trancafiado no quarto, apenas recebi a visita de um amigo e bati um longo papo sobre música. Logo era chegada a hora de me preparar pro show. A festa era fechada pro SindiJUS do Sindicato dos funcionários do Ministério da Justiça. Milhares de fãs nos esperavam na arena montada ao lado do estádio Mané Garrincha. No anos passado, tivemos uma ótima noite no FIB (Festival de Inverno de Brasília). Bem cheio, a galera aguardou nossa chegada pacientemente. Cantaram do começo ao fim! Tivemos ainda tudo isto registrado em fotos. Um show delicioso na capital federal, e me desculpem o trocadilho, mas com toda justiça ;-)

Belém, sempre emocionante!

12 de junho de 2010

Tocar no Pará já nos rendeu ótimos posts aqui no Blog. Este não podia ser diferente. Nossa quarta participação no Fest Music, desde 2005. Uma noite especial com Skank e abertura de Maria Gadú, com quem viajamos no avião. Um dia dedicado à boa música, com certeza. Foi um dia com muita divulgação e só paramos para descansar às 8 da noite. Visitamos rádios, TVs, não paramos um minuto. Precisamos acertar o telão para sincronizar nossas imagens Tínhamos ainda o problema do horário, já que teríamos que sair direto do show para o aeroporto. Um show tenso nos detalhes e um público carinhoso nos esperando. A troca de palco entre o show do Skank e o do Biquini exigiu um esforço grande de todos da equipe técnica, pois quanto mais rápido fôssemos, mais tocaríamos. Enquanto isso, o papo rolou solto nos camarins com Samuel, Lelo, Henrique e Haroldo . Lembramo-nos de muita coisa que rolou na década de 90, quando eles começaram. Lembramo-nos dos ônibus com baratas que pegávamos, das pin-ups da década de 80, de posts no twitter e muito mais até a hora de subirmos ao palco. Durante o show, Henrique acabou sendo nosso convidado em Vento Ventania. Mais que cantar, ele fez a festa conosco. Um cara muito querido, aliás como todos do Skank. Uma festa que nos fez matar nossas saudades. Já tinha quase um ano que não tocávamos na cidade. Os paraenses são demais!

Por Trás De Um Show Corporativo

12 de junho de 2010

Shows corporativos são aquelas festas fechadas em que somente os convidados de quem nos contratou são autorizados a nos assistir. Um show particular. O melhor exemplo que me vem à cabeça é o de uma festa de debutaste ou de casamento. Você é quem decide quem vai chamar, não tem como ninguém mais entrar – a não ser como penetra!
Já fizemos shows assim para funcionários de uma fábrica, mondadoras de automóveis, laboratórios farmacêuticos, cursos de idiomas entre outras grandes empresas do ramo. O evento sempre é impecável. Ótimo som e luz, sempre bem recebidos e acomodados. Por vezes temos que ficar escondidos o dia inteiro por sermos uma “atração surpresa”. Foi este o caso. Passamos o dia enfurnados no quarto de hotel em um resort incrível em Florianópolis. E quer saber? Foi ótimo. Estávamos mortos do show anterior no Rio, não havíamos dormido no voo para Floripa e uma chuva fria só nos deu uma alternativa, a melhor delas: ficar dormindo sob as cobertas pesadas de um hotel estrelado. Só acordei quando era noite. Jantei e me preparei pro show. No dia anterior tocamos para uma casa lotada e agora lá estávamos num palco excelente, som de primeira e cento e cinqüenta pessoas na platéia, se tanto. No entanto, acreditem, foi divertidíssimo. Show para todos nós não tem a ver com a quantidade de público presente e sim com a energia desprendida por cada um ali naquele momento. Os presentes ali começaram assistindo timidamente. A graça foi fazer cada um se soltar, cantar, pular dançar e tocar o maior reboou! No final, estávamos tocando no meio deles, subindo em mesas, coisa de louco. Terminamos o show com a certeza que a galera saiu super satisfeita. E isso é o que nos move. Sempre.