Mossoró Mix e o Memorial da Resistência

15 de novembro de 2008

Era 1927 quando a cidade de Mossoró decidiu não se render às investidas do cangaceiro Lampião. Dispostos a não ter a cidade saqueada, eles se uniram e expulsaram o bando. O feito foi seguido por outras cidades e o bando acabou fugindo até o seu trágico final. Esta história me foi contada por Sandro Cocco, fã incondicional do Biquíni Cavadão que nos recebeu na recepção do hotel. Se tivesse tido tempo, teria visitado o local. Memorial da Resistência, Mossoró-RNPelas fotos que peguei na internet, achei muito interessante. Viajar pelo país, conhecer a nossa história de perto, conhecer as belezas, as pessoas, isto é maravilhoso. O problema é que, às vezes, o tempo nos falta e tudo se reduz a conhecer hotéis, aeroportos, casas de show, qualquer restaurante de beira de estrada.
Para retribuir tanto conhecimento sobre a cidade, decidi chamar o professor ao palco, que mandou ver! O show no Mossoró Mix está cada vez melhor. Palco, som e luz de primeira. E quem sai ganhando é o público. No entanto, poderíamos ter contado com um pouco mais de ajuda dos seguranças. A cada duas músicas, pelos menos uma pessoa subia ao palco para nos abraçar. Grato pelo carinho, galera, mas estava difícil controlar todos ali, sendo que um tropeço bastaria para poder desligar algo no palco e prejudicar o show de todos. Quando a gente chama alguém, temos esta noção de quem chamar e por onde a pessoa deve subir - e descer. Os “invasores”, não sabem que correm riscos até de se eletrocutarem.
Mesmo com esses problemas, conseguimos administrar tudo e tocar as músicas para a galera se divertir. Coelho até ganhou um simpático coelho de pelúcia com uma guitarrinha igual a dele! Coisa de fã, mas simpaticíssimo! Mossoró tem nos recebido sempre de braços abertos. Diante disso, ao falar da importância da boa música, sugeri que a cidade, pioneira no seu marco da resistência aos cangaceiros, se transformasse no marco da resistência em prol da boa música. Quem sabe e história não se repete e expulsamos tanta coisa ruim que a gente ouve em dia com a mesma força e disposição que tiveram aqueles heróis de 1927?

Mar de Espanha apresenta: Biquini Cuecão!

15 de novembro de 2008

Mar de Espanha ficou famosa recentemente por um comercial da Caixa Econômica Federal, não sei se vocês já viram: fala sobre cidades com nomes diferentes e dizem no final que em todas você tem uma agência da Caixa. Pois bem, NÃO TEM!!! Esta foi a primeira das muitas surpresas daquela noite. Fui mais tarde pra cidade, aproveitei o dia com a família e depois peguei um ônibus com o Miguel para Juiz de Fora, onde os contratantes nos esperavam. Estavam ansiosos pelo resultado do show. Apesar da chuva que castigara a cidade o dia inteiro, trataram de fazer o show, o primeiro deles, da melhor maneira possível. Muito atenciosos, descobri que trabalhavam no ramo de cuecas! Isto mesmo, cuecas! Produzem mensalmente mais de 2 milhões! O papo no carro então foi surreal, pois começamos a perguntar o que acontecia com as cuecas velhas. Se o papel podia ser reciclado, o mesmo acontecia com as cuecas? A gente poderia estar usando um modelo “rodado”. Satisfazendo nossa curiosidade, disseram que não, mas que o pano usado para cortar os modelos acaba virando um monte de retalhos que mais tarde são vendidos como estopa. E homem compra tanta cueca? Sim, eles compram mas não são muito exigentes. As mulheres porém fazem as compras das cuecas dos maridos e, estas sim, pesquisam preços, modelos e cores. Os quarenta minutos acabaram passando rápido, logo chegávamos no hotel, um charme com fogão à lenha e uma comidinha mineira daquelas de encher a boca d’água. Não chovia mais, descansamos um pouco nos quartos e logo fomos trabalhar. O show acabou me surpreendendo porque era para estar bem vazio, dado o temporal que desabou na cidade. Porém, pouco a pouco, o pátio se encheu e cantou conosco cada música. Adoramos! No final, recebemos um suprimento de um ano de cuecas de presente, tinha até infantil pro meu filhote. É pessoal, naquela noite o Biquini era Cuecão!!!

Meu Kazebre é meu reino (e o recomeço..)

5 de novembro de 2008

O vôo de Foz pra Guarulhos foi cedo, bem cedo, saiu no horário, mas a espera foi grande em São Paulo. O ônibus que nos levaria se atrasou. O hotel em que ficaríamos era de Ribeirão Pires, cidade próxima à Grande São Paulo. Uma pousada onde mal se pegava celular. Chegamos quase às onze e tratei de finalmente dormir. Foi um dia meio estranho, perdido num quarto de hotel mas valeu a pena. Quando dei por mim, já era hora de irmos pro Kazebre.
O show no Kazebre serviu para termos um encontro com um público que adora a banda mas que ainda não sabe que, juntos, podemos fazer muita coisa.
Ao subirmos ao palco, por volta das duas e pouco da manhã, agradeci a todos pela paciência, por terem esperado tanto - não nesta noite mas pelos meses e até anos que ficaram sem nos ver. Em meio a um show endiabrado, descobrimos o porquê do Tihuana ter gravado seu ótimo DVD ali. A casa tem uma aura boa e a galera incendiou tudo, no melhor estilo que um show do Biquíni pode ter. O dia já estava amanhecendo quando atendemos uma enorme fila de autógrafos. Me perguntavam se isto era um saco. De jeito algum! Primeiro, porque eu estava ali por vontade própria, segundo porque se voltasse pro hotel tão logo acabasse, ficaria olhando o teto tentando diminuir a adrenalina e, finalmente, o que faz uma cidade diferente da outra são as pessoas! Muitos me perguntavam se já não era hora de fazer um acústico MTV e eu explicava que depende deles, não de nós. Outros reclamavam das rádios que tocam coisas que não gostam de ouvir e que o Biquíni fazia falta. Resposta simples: se você não ligar para lá dizendo o que você quer, eles tocam o que eles têm!
Um cara me pergunta se o DVD vai sair em BlueRay - uma tecnologia nova com qualidade muito superior ao de um DVD. Claro que queremos, mas por ser caro um disco assim, só será feito se as vendas forem consideráveis, se a gravadora enxergar na banda este potencial. Como nem existe um fã clube, tratei de convidar todos para uma mudança neste quadro dali de cima do palco mesmo. Em meio às conversas, na fila, ratifiquei o compromisso do Biquíni de reverter este quadro. E embora não tenhamos tocado, O Kazebre foi nosso reino nesta noite.

Foz do Iguaçu e a tríplice fronteira

4 de novembro de 2008

Como se não bastasse Foz do Iguaçú fazer fronteira com Argentina e Paraguai, o que por si só já atrairia muitos turistas, as cataratas do Iguaçú são um espetáculo sempre à parte. Na última vez, fomos ao parque pela fronteira brasileira. Decidimos então ir pelo lado argentino. Um passeio que tomou o dia todo mas valeu a pena. Os brasileiros brincam dizendo que o lado mais bonito das cataratas é o argentino pois dali se vê o Brasil mas a verdade é que esta maravilha merece ser vista de todos os ângulos. Pegamos um trem para conhecer a Garganta do Diabo, onde as quedas são mais violentas e uma cortina d’água sobe o tempo todo encharcando todos que ali estão. Fomos nós quatro para o local que exige um pouco de paciência para chegar, andando por diversas passarelas sobre o rio, mas o que encontramos no final é de encher os olhos. Ficamos ali admirando aquela quantidade de água que nos dá uma sensação estranha ao sair, como se tivéssemos deixado a torneira da pia ligada. Nosso próximo passo foi conhecer Puerto Iguazu, onde vendinhas oferecem petiscos argentinos para degustarmos. Foi numa dessas vendas que eu entrei para tomar um suco. Desisti da idéia e, ao sair, pisei em falso no pequeno degrau que havia, torcendo o pé. A dor foi grande mas a torção me pareceu leve. A dona da vendinha, uma argentina de seus 50 anos, chamada Carmem, foi um amor de pessoa: arranjou gelo, queria me dar um relaxante muscular, buscou uma cadeira. Disse ela ter passado pelo mesmo problema há pouco tempo e ficou com pena de mim. Independente disso, foi uma mãezona! Permanecemos no local por mais algum tempo, enquanto o gelo fazia efeito no meu pé e seguimos para as compras que sempre rolam na fronteira, mas acabei desistindo. O pé estava realmente me incomodando. Comprei remédios numa farmácia e depois fui pro hotel onde pedi gelo. Surpreso, descobri que a taxa de turismo que pagamos no hotel - e sempre acho um absurdo - me dava direito a uma visita médica sem custo. Logo chegou um enfermeiro que imobilizou meu pé, deu recomendações para eu oscilar entre gelo e calor no pé e não exagerar no show. Fiz tudo que ele disse. Ou quase! Na hora do show, não resisti e pulei o quanto pude. A Ono, casa onde tocamos, estava lotada, muitos brasileiros mas alguns argentinos e paraguaios. Foi um show divertidíssimo onde até a bancada do bar serviu de palco para nossas estrepolias! Mal terminamos o show atendi novamente todos com o pé na água quente e no gelo, até a hora de sairmos pro aeroporto.

A volta de Demos & Debuts

3 de novembro de 2008

Eu quase não tenho tido tempo para nada, mas é duro olhar a pilha de Cds que se acumulam em minha mesa, gente que me deu com tanto esforço pedindo só para escutar e dizer algo. O fato é que nem sempre tenho algo a dizer. Muita gente as vezes grava um ensaio, põe uma capa feita em casa com a impressora e me mostra como se fosse seu disco, seu lançamento. Outros me entregam trabalhos mais amadurecidos, porém com muitas limitações técnicas. O que é importante que a galera saiba é que só posso indicar algo aqui que eu tenha alguma identificação. Isto não quer dizer que o que eu recebi e que não aparece neste blog é ruim. Apenas, ao meu ver, fica faltando algo ou não bate com meu gosto. O maior problema hoje da música que se faz via internet é separar o joio do trigo. O que farei aqui é tentar ajudar um pouco com isso. Repito, não separando o que é bom do que é ruim, mas separando algumas coisas boas que estão por aí. Que vocês procurem outras igualmente legais e descubram muitas músicas interessantes.
Pois bem, chega de falação e vamos ao que interessa:

Concreto & Asfalto é uma banda de Fortaleza. As sonoridade é boa, e tem uma linda canção chamada Sala de Estar. As influências, como a de muitas bandas, flerta com Los Hermanos, mas eles não se prendem a isto. Bom vocal, tem personalidade. clique no nome da banda para ver o MySpace deles ou simplesmente curta o video abaixo no YouTube:

O Remoto Controle, de Guarulhos já parte para outra praia, mais roqueira, mais clássica. O vocal lembra muito Lobão, precisa ainda encontrar o seu rumo mas fizeram uma boa versão para O Mundo, do Capital Inicial. Ouça Pobres Corações, com pitadas de Dire Straits.

Fechando a tampa, vindo de Porto Alegre, o Necessidade Humana. A princípio achei o nome interessante (todos nós temos uma necessidade básica) mas depois, soou-me como algo escatológico. De todo modo, não me cabe aqui criticar nomes, já que minha banda também tem um nome bem estranho, né? E o que importa não é o nome, a capa, o encarte (como cantamos em Dani) e sim o conteúdo. Letras densas, sob influências literárias de todo tipo, um prato cheio para quem curte autores como Italo Calvino, Mario Quintana entre outros. O vocal em um quê de Oswaldo Montenegro, timbre forte e uma sonoridade totalmente desvinculada de qualquer referência. Acho que as melodias poderiam ser mais bem acabadas, mas este disco já é um bom ponto de partida para se conhecer um rock diferente que o Sul apresenta. Minha favorita é Cidades Invisíveis, mas confira outras no MySpace deles.

Como incluir fotos no site do Biquini

2 de novembro de 2008

Decidi criar uma nova categoria no blog do Biquini. Trata-se do Tutorial, que dará dicas das mais variadas mas vai começar ensinando um pouco mais sobre a área de fãs do site. Para começar, você precisa se cadastrar e acho que é fácil você fazer isto. No entanto, fique atento a detalhes importantes:
- tenha certeza absoluta de que está escrevendo seu email corretamente. Não incorra em erros típicos como fulano@hotmail.com.br (só existe hotmail.com), fulano@www.terra.com.br (o certo seria terra.com.br sem o www) ou simplesmente um erro de digitação no seu email.
- dito isto, certifique-se que sua senha é correta, não erre.
- preencha os dados pedidos no seu perfil e sua tela deverá ser mais ou menos assim:

Clique na foto acima para vê-la ampliada. Agora vamos incluir algumas fotos?
Para isto, suas fotos tem que ter sido tiradas em um show e vamos associa-las a este show. No menu do site, procure a agenda e escolha um show que você foi, digamos Belém neste ano.

Selecione o show que você quer clicando na data, em laranja, do lado esquerdo da cidade. Se o show foi em outro ano, faça a pesquisa. Não é difícil você encontrar o show que você viu em 1993, basta fazer a busca corretamente e depois clicar na data para incluir as fotos. Onde estávamos mesmo? Ah, o show de Belém. Escolhi este porque tem muitos participantes, com fotos, comentários e videos. Você verá uma tela assim:


Como você foi no show, a primeira coisa a fazer é faze parte da turma que aparece aí. Portanto, clique de cara no botão grande à esquerda dizendo “EU FUI”. O próximo passo é incluir as fotos. Embaixo das fotos, tem um botão (não aparece nesta imagem mas está lá) com os dizeres “Envie Fotos”. Clique nele. A tela ficará escura e você verá as opções para você fazer o upload das fotos.
São 5 por show que você pode enviar. Novamente aqui, peço aos fãs que enviem fotos da banda - que são de interesse de todos - e menos de si próprios com o grupo. Uma vez ou outra, vá lá, mas pensem nos outros fãs também né?
veja a imagem abaixo e confira

As fotos escolhidas são enviadas para o site para aprovação. Num prazo que pode levar de minutos até alguns dias, as fotos estarão disponíveis no site e em destaque.
Vamos aproveitar e incluir também um video? Igualmente fácil! O princípio é o mesmo. Na tela do show de Belém clicaremos no botão “Indique um video” e você colocará o endereço do YouTube associado àquele show.

Lembre-se, tem que ser o show daquele dia, para não embaralhar tudo né? Por via das dúvidas, o link também é enviado para moderação antes de ser aprovado.
Finalmente, deixe um comentário sobre o que achou do show para que todos vejam.
Feito isso, assim que você tiver os videos e fotos aprovados, sua página de perfil também mudará. Aí, é só participar, comparecer aos shows e enviar mais colaborações!

Nó próximo post, ensinarei como fazer a sua rádio do Biquini, embora acredite que muitos aqui já tenham descoberto, né?

Norte-Sul em um dia e as histórias de cada um

2 de novembro de 2008

Onde fica Sananduva? Ali pertim, , diriam os mineiros. Logo ali! Pertinho de Belém! Pouca coisa. Ali no Rio Grande do Sul. RIO GRANDE DO SUL? Oito horas de vôo, saindo de Belém, passando por Rio e Florianópolis e mais cinco de ônibus lá pras bandas de Erechim. Chego a achar que existe alguém no nosso escritório a fim de criar gincanas. Não me espantarei se tocarmos um dia em João Pessoa para em seguida ir pra Cruzeiro do Sul, no Acre. Ao menos eu poderia dizer que também fizemos a travessia Leste-Oeste! Brincadeira! Brincadeira! Vai que alguém nos ouve. Melhor fazer cada cidade em um dia distinto! As duas no mesmo fim de semana seria mais uma prova como a que pegamos. Saímos de um calor fervente de Belém e 14 horas depois estávamos agasalhados no interior gaúcho sob chuva fina, que loucura!
Foi chegar, e já correr pro palco para montar tudo e fazer o show. O cansaço nosso deu lugar a uma casa lotada e esperando pacientemente pelo show. Para todos ali, nosso show devia ser uma novidade, mas foi muito bom ver como a galera cantava músicas como Em Algum Lugar No Tempo e Restos de Sol. E nisso, apareceu a Jéssica. Super feliz cantando tudo na primeira fila. O palco era alto e não dava pra descer direito. Decidi ficar sentado na beira e ela desamarrou o cadarço do sapato. Eu pedi para ela me ajudar, amarrando novamente. Ela não pareceu entender e começou a tirar o cadarço, tentando tirar o sapato de mim. Fiquei puto, fui grosseiro com ela. Minutos depois, ela aparece novamente na primeira fila e leio em seus lábios um “desculpa” que me desarmou completamente. Disse o mesmo em resposta. Também estava arrependido. Mais algumas músicas e tocamos Impossível. Ela chora copiosamente. Os amigos a confortam. Sabia que algo de errado estava acontecendo e lhe dou uma garrafa d’água. No final do show ela vai no camarim. Soube pelos amigos: seu namorado havia morrido há pouco tempo e era a primeira vez que voltava àquela casa noturna, desta vez sem ele. Ouvir Impossível acabou lhe abalando emocionalmente.
Fico pensando que todos tem uma história e nós só sabemos da ponta do iceberg, mas quando elas chegam a nós, sempre nos emocionamos. São relatos de algo que nossa música foi capaz de fazer: melhorar um dia na vida de alguém, encher de saudade a de outra, de simplesmente ser a trilha sonora de uma tarde chuvosa ou um dia ensolarado, ser a companhia de uma noite só. Naquela noite em Sananduva, o show foi super bonito, mas foi inevitável a tristeza que se abateu sobre mim quando soube da história da Jéssica. Da mesma forma que as músicas marcam a vida das pessoas, estas histórias também no marcam.
Voltamos na madrugada para Porto Alegre, onde acabei ficando com Coelho por lá para divulgar na segunda feira. Domingo livre, fiz um chat com a galera do orkut, e liguei pra galera do Nenhum de Nós para saber onde eles estariam tocando no Rio Grande do Sul. Para minha surpresa, estavam se apresentando em Porto Alegre. Fui pra lá, assisti um ótimo show e acabei dando uma canja em Paz e Amor. Saímos na madrugada e a segunda foi de divulgação total em Porto Alegre. Espero que os frutos destas visitas venham com shows por lá.

De volta a Belém

30 de outubro de 2008

Pará neste ano foi parada obrigatória. Pela terceira vez voltamos à cidade. De maio pra cá, tocamos no célebre clube AP, fizemos um show no congresso brasileiro de Enfermagem e agora, o AP nos recebia novamente para a festa da casa noturna Barcelona. No palco, além do Biquíni, Toni Garrido, em show solo. Me impressionou muito a casa lotada, mais ainda descobrir que praticamente metade do pessoal estava vendo nosso show pela primeira vez! Quando estivemos em maio, testávamos algumas músicas para o possível disco 80 volume dois a ser realizado algum dia. Desta vez, o disco era uma realidade e demos ao público uma prévia de como ele será quando sair em Novembro. Em meio a estas músicas, tocamos um pouco mais do Só Quem Sonha Acordado Vê O Sol Nascer e chamamos uma menina ao palco em No Mundo da Lua. já que elas reclamam tanto serem preteridas pelos garotos nesta hora. O lugar estava tão cheio, mas tão cheio, que nem foi possível a gente pedir para as pessoas se abaixarem em Vento Ventania. Em Timidez, era quase possível caminhar sobre as pessoas tão juntas elas estavam, mas claro que não fiz isto. Por outro lado, as marcas de unha nos braços ainda doem hoje, que loucura! Belém é assim, fervente, fervorosa. Não por menos são capazes de espetáculos como o Círio de Nazaré, que hei de assistir de perto um dia. Terminamos este show com a triste certeza de que até o fim do ano não nos veremos mais e na torcida para voltarmos com esta freqüência no ano que vem, quem sabe até no Fest Music, como fora prometido a nós?

A luz que veio do público

28 de outubro de 2008

Viajamos pra São Gonçalo, a poucos minutos do Rio de Janeiro, com uma grande expectativa. Em 2002, havíamos tocado no SESC de lá e o show tinha sido inesquecível para nós. O problemas, entretanto, começaram logo no aeroporto de Salvador. O vôo estava bem atrasado. Ao chegarmos no Rio, uma chuva chata caía na cidade e tínhamos que correr contra o tempo. O show seria cedo e teríamos que passar o som com rapidez. Fomos direto pro local do show e aguardamos pacientemente a equipe montar tudo. Os produtores do evento nos cobravam muito pelo atraso e foi preciso abrirmos os portões para abrigar o público que fazia fila do lado de fora. Fomos informados que havia um problema com a luz. Nosso técnico de iluminação, que estava em São Gonçalo desde o começo da tarde, aguardava a equipe local arrumar tudo, mas nada parecia funcionar direito. Do outro lado, pressão para que entrássemos no palco. Uma bela hora dizem: está tudo pronto, podem ir!
Subimos e logo estranho o palco todo escuro. Apenas o canhão de luz me iluminava. Achei que isto era momentâneo, mas logo percebi que estávamos tocando a segunda música sem nenhuma mudança no quadro. Isto começou a nos incomodar muito. Estávamos ali, diante do público, incapazes de resolver o problema em pleno vôo cego. E ninguém parecia fazer nada! O produtor falava para mim “Cancela! Cancela!” mas a gente sabia que naquele dia chuvoso não deve ter sido fácil chegar ali para nos ver. Eu pedi que ao menos acendessem a luz do ginásio, para que pudéssemos tocar nos vendo. Isto foi feito e pensei, “o.k., vamos tentar fazer o show assim, enquanto alguém resolve o problema”. Foi então que, no meio da música, tornam a apagar a luz. Foi a gota d’água! Pedimos desculpas ao público e licença para sairmos do palco. Aguardaríamos a solução técnica do lado de fora.
Esta é a única coisa que faz tremer as pernas de um organizador do show. Saio do palco e todos ali estavam brancos, assustados, temendo um cancelamento, uma revolta popular, quebra-quebra. Uma romaria começa vir perto de mim, se desculpando. Eu estava transtornado! Não queríamos desculpas. Queríamos a solução. Olhava na cara deles e dizia “que vergonha, vocês!”. Como eram capazes de oferecer este tipo de serviço a nós e, principalmente, ao público?! Nos reunimos e decidimos aguardar duas respostas: a primeira era saber se o problema tinha solução rápida, e a segunda, quanto tempo esperaríamos em caso da primeira resposta ser positiva.
Logo vimos que a incompetência era tamanha que não haveria jeito de fazermos o show com a iluminação funcionando. Ainda bem que o som estava a contento e, mesmo com todos os problemas, seríamos capazes de tocar o show. Depois de uns quinze minutos, subimos o palco, eu ainda muito aborrecido, e tratamos de dar tudo para o público.
Mas foi a galera que, nesta hora, brilhou. Com as luzes do ginásio acesas, foi um show de ‘cara limpa’! A luz, vinha de cada um, e assim fui deixando os problemas pra trás. Cantamos juntos cada música, vibramos na mesma sintonia, como se todos ali agora fossem realmente membros da banda. E foi então que entra em cena um menino chamado Josh.
Sempre chamo alguém em No Mundo da Lua. E este momento é sempre uma grande surpresa para nós. Quando chamei o rapaz pra cantar a música conosco ele me perguntou se podia subir com o menino ao seu lado. Claro, sem problemas! O menininho sobre e, de cara, começa a tocar uma guitarra imaginária com uma desenvoltura tamanha que eu não acredito! Fiquei boquiaberto e naquele momento, todos os problemas vividos por nós sumiram. Eu posso dizer que o show de São Gonçalo se resume a antes e depois do Josh! Foi um grande barato! O show foi ganhando luz própria e isto me fez perceber que certos percalços na nossa vida podem gerar mudanças para algo ainda melhor que imaginamos. Não que eu queira agora só fazer show com uma luz capenga, mas que o público naquela noite brilhou, ah, isto não tenho dúvidas. Novamente o SESC nos proporcionou um show inesquecível!

Salvador, a parede humana e um pedido…

24 de outubro de 2008

Quinze anos depois de nossa última apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, estávamos de volta a Salvador para reencontrar um dos mais belos lugares para se dar um show no Brasil. A forma da concha, sua arquibancada íngreme, dá ao artista a sensação de que está sendo engolido pelo público que a lota e torna o show emocionante. É indescritível o que sentimos diante daquela parede humana. Nos últimos anos tocamos em diversos eventos em Salvador. Festivais, shows com outros artistas, ensaios de blocos, mas este show na concha, por ser do Biquíni, tinha um sabor especial para nós. O projeto MPB Petrobrás também ajudou tornando o ingresso barato. Moral da história, arquibancada lotada e um show que só não foi maior porque havia um horário que não podia ser ultrapassado. Quando deu nove e meia da noite, era imperativo terminarmos o show. Do contrário, o bis teria sido enooooorrme! O resultado deste show foi importante também no quesito “quero tocar no Festival de Verão”. Organizadores, produtores, muita gente estava presente e conferiu a força que o Biquini Cavadão tem hoje na Bahia. Lógico que uma forcinha do público, uma “pressão” no site do festival é sempre bem vinda. Faremos figa por aqui.
Mudando um pouco de assunto, gostaríamos de pedir algo aos fãs da banda. Manifestem-se. A sensação que temos muitas vezes é que os fãs do grupo são tímidos. Em votações, eleições de prêmios, mais pedida nas rádios, videoclipes, muito do que hoje existe para aferição do gosto popular, criado inclusive por rádios, programas de TV, canais musicais, muitas vezes o Biquíni nem consta como opção. Isto se deve a quê? A pouca manifestação dos fãs da banda. Claro que temos as exceções, os fãs que se mobilizam. Mas mesmo estes podem, além de votarem, conclamarem os outros fãs que estão quietos a fazerem o mesmo! É comum a gente ouvir de produtores, jornalistas, gente de radio, tv e internet uma expressão estupefata dizendo-nos “Não sabia que o Biquíni tinha esta força!”. De fato, não tem como saber, e nem saberão se não perceberem isto com os instrumentos que eles têm: as enquetes e votações! Portanto, querido fã, não deixe de votar, de participar, de fazer valer a sua vontade, ao invés de reclamar da vida, de se chatear com a ausência da banda nos programas que você gosta, na radio, na tv, não importa. Só quem sonha acordado vê o sol nascer!

ps: O mesmo vale para os que forem votar neste fim de semana no segundo turno. Participe e lute pelo que você acredita. E não deixe, depois de eleito o candidato, de cobrar - e muito! - todas as promessas que ele fez.